Reeducação Alimentar – Por onde começar?

De bons profissionais e alimentos maravilhosos, o mundo está cheio. Ainda bem.

Independente do seu objetivo, a chave estará sempre aqui: constância e compreensão.

A constância é mais simples. Fazer um pouco pela sua saúde todos os dias trará um resultado mais efetivo e contínuo do que fazer algo 100% ideal durante um mês e depois largar de mão.

E é por isso que para mudanças duradouras, o ideal seria acrescentar um novo hábito de cada vez. Tornando o processo leve.

Mudar radicalmente pode ser mais prático para muitos, mas há um grande risco: associar a vida saudável com a dor, com rupturas, com um processo traumático.

Mas e a compreensão?

Vamos lá.

Você consegue pensar em alguma teoria ou fórmula que explique melhor determinada situação do que um bom exemplo?

Na nutrição não teria como ser diferente. E por essa razão, peço licença para contar uma pequena história.

Julia mudou-se para Porto Alegre com Carolina, sua filha de cinco anos, para correr atrás seus sonhos profissionais.

Carolina ainda não havia encontrado o prazer em se alimentar. Era o tipo de criança que passava duas horas na mesa em cada refeição, lutando contra a comida.

E Júlia, além de muito jovem, sempre teve horários malucos de trabalho. A forma que encontrou para nutrir a filha foi transformar os alimentos em sucos e vitaminas.

Por razões que não precisam ser mencionadas, Carolina foi morar temporariamente com o avô em outra cidade enquanto sua mãe se estabilizava emocional e financeiramente. O que era temporário durou 15 anos e Carolina nunca mais morou com a mãe.

A nossa relação com a comida, nossos hábitos alimentares e preferências são formados na primeira infância e é por isso que em uma consulta de 60 minutos nós geralmente precisamos ir longe para encontrar o x da questão.

É possível perceber que talvez para Carolina a alimentação foi a forma encontrada para chamar a atenção da mãe?  E mais: que para ela, o amor era sempre doce?

No seu inconsciente, tudo o que ela queria era sentir de novo aquela sensação de amparo. Não é que ela tivesse aversão aos alimentos salgados, mas ah… A vitamina de banana tinha sabor de abraço, de cuidado.

Não existe planejamento alimentar nesse mundo que funcione se não existir uma compreensão dos nossos sentimentos relacionados à comida.

Enquanto suas questões com a mãe não fossem resolvidas, a vontade de doce excessiva não iria diminuir.

Comida é afeto, é memória. Não adianta nutrir o corpo sem nutrir a alma.

É claro que cada vivência é única, então aqui vão algumas dicas para facilitar o seu processo:

– Preste atenção em você. Como seu corpo reage quando está com fome? E quando já está saciado? Aprenda a reconhecer os sinais que seu corpo envia.

– Coma devagar. Se possível, em ambientes tranquilos e agradáveis. Sinta cada sabor e textura ao máximo.

– Busque alimentos naturais. Deixe o excesso de industrializados para dias que demandem mais praticidade e rapidez.

– Exercício físico e hidratação! Faça da garrafinha de água sua melhor amiga e da endorfina a solução para os problemas do cotidiano.

– Planejamento é fundamental. Organize as refeições semanais e lanches com antecedência.

– Não tenha medo de falhar! Se algo não saiu como o planejado hoje, amanhã você pode acordar e tentar novamente. Sem culpa.

– Busque acompanhamento profissional sempre que possível.

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