Saúde sexual e o Tantra

Nós mulheres, realmente conhecemos nosso corpo na sua totalidade? Provavelmente conhecemos pouco. Não foi nos ensinado que seria algo bom para a nossa saúde desvendarmos os mistérios do feminino. E a nossa potência feminina quanto a corpo/matéria e consciência não material? Manifesto e não manifesto. Como a energia feminina oscila entre esses 2 mundos a vida toda e mesmo assim, a maioria das mulheres passa por essa existência sem nem menos se dar conta dessa potência criativa que nós somos. Somos a própria criatividade em forma de corpo de mulher. A partir desse corpo criamos realidades e criamos outros seres humanos. E com esse poder eu diria que estamos perdendo tempo e delegando nossa saúde e potência à sociedade, à medicina e ao patriarcado que por séculos “entende” e se apodera dos corpos femininos como sendo propriedade modificável, propriedade da sociedade e mais, nos tira a capacidade de autoconhecimento. Isso acontece porque somos tão poderosas assim?! No mínimo curioso, eu não perderia a oportunidade de me conhecer e entender como eu posso cada vez mais ser uma mulher potente em todas as minhas facetas. Sim, somos cíclicas, somos muitas em uma só.

Mulheres que ainda não estão lunando/menstruando devem estar se preparando para receberem a sua lua e iniciarem uma linda jornada sem vergonha, sem tabus ou culpas por serem quem são. Talvez isso faça com que as pazes com o próprio sangue sejam feitas nessa geração, com menos cólicas, endometrioses, ovários policísticos, hormônios sintéticos… Mulheres não sabem quando vão ficar menstruadas, não sabem quando estão ovulando, não sabem quando estão se recolhendo para receberem seu sangue. Tudo isso é traduzido com pílulas, menstruações sem ovulações, medicações para cólicas e com a TPM, aliás, é tudo culpa dela! Será mesmo?! Ou seria o nosso corpo extremamente irritado com o fato de não estarmos escutando o que ele precisa no momento, ou a gente deixando de dizer e não vivendo a nossa verdade de maneira íntegra, faz com que tenhamos crises explosivas, briguemos com todo mundo, choramos muito mais, e depois disso tudo colocamos na conta da “TPM”.

Estamos colocando mais hormônios para dentro de nós. Silenciamos nossas necessidade e verdades, silenciamos nossos corpos e ficamos cada vez mais longe de nós mesmas. É triste. É solitário. É cruel. E quando chegamos na menopausa? Apenas o sangue não irá descer, continuaremos cíclicas, passando pelos mesmos aspectos emocionais e psíquicos de antes, mas se não nos identificamos física e emocionalmente com as nossas fases, ficará mais difícil ainda sem a menstruação. Silenciamos o nosso corpo a vida inteira, e muito provavelmente, continuará sendo nessa fase. A mulher na menopausa elevou toda a sua energia para a mente, dizemos que a mulher transcendeu, como se a energia física que ela perdia ao sangrar, agora ela se potencializa para o alto, para a mente, elevando a sua intuição no nível mais sublime da vida. Essa mulher, que não reconhece essa potência, provavelmente não irá utlizá-la…

Quando temos a oportunidade de conhecermos o corpo humano, e a região pélvica na sua anatomia e fisiologia começa a ficar mais claro ainda tudo que andamos fazendo com ele, nosso corpo. A consciência é uma porta que não se fecha mais, e cabe a quem a tem aberta decidir se vai fechar os olhos ou entrar. Eu entro, e, vou de cabeça, aliás entro com a minha pelve, pois é nela que está a minha verdade e toda a minha intuição. Temos útero, ele tem memória. Eu me curo através dele, desde as gerações que vieram antes de mim e crio o que eu quero daqui para frente. Sinto como está a minha conexão comigo mesma quando eu desregulo minha menstruação, quando não escuto minhas intuições. Basicamente quando desconecto meu corpo da minha mente. E de nada adianta um sem o outro.

Nossa estrutura pélvica é maravilhosa e vamos com ela até o final. E como não sabemos quando será esse final, devemos cuidar dela, com muito carinho a propósito. Ela sustenta todos os nossos órgãos e vísceras, é responsável pelo parto, e, é a única responsável, fisicamente falando, pela função sexual. Falo fisicamente porque o ato sexual, para a mulher, começa no córtex frontal, no cérebro. Mas se tudo estiver propício para o ato sexual acontecer, a experiência vai ser orgástica ou não se essa estrutura souber relaxar a hora que precisa relaxar, contrair a hora que tiver que contrair e indo além aumentar a intensidade, durabilidade e repetições do orgasmo caso você saiba utilizar essa musculatura. Simples? Não. Possível? Completamente. Como? Basta ter um assoalho pélvico.

Nossa maior dificuldade é porque passamos a vida toda sem sermos estimuladas a nos conhecer, a nos tocar, a falar sobre sexo ou masturbação. E o que eu vejo são mulheres adultas correndo atrás do prejuízo enquanto que os homens desde pequenos são incentivados a se conhecerem sexualmente. Essa cultura machista e sexista nos impediu de iniciarmos nossa vida cíclica e sexual de uma maneira mais saudável e prazerosa. Mas tudo bem, somos portais dessa nova geração que vem atrás da gente, ajudaremos essas meninas a viverem mais tempo de suas vidas orgasticamente onde tudo pode e deve ser feito com prazer, como o tantra. Essa filosofia comportamental que utiliza a energia feminina como canal de evolução, conhecimento e conexão com toda a natureza criativa do planeta. Através do tantra as mulheres aumentam mais ainda o conhecimento da ponte que é o corpo da mulher com o poder feminino sobre a nossa sociedade. Com exercícios pélvicos e movimentos que liberam nossa energia sexual utilizamos nossa pelve para que, através do prazer feminino e do orgasmo, a gente atinja níveis de intuição e criação muito mais potentes do que se apenas utilizássemos do nosso intelecto. É como se iluminássemos literalmente nossas ideias e com isso somos mais inteligentes, maternas, sagazes, joviais, bonitas, misteriosas, determinadas, empáticas, bondosas e o que for preciso ser em cada ciclo feminino. Podemos ser o que quisermos ser. Basta saber disso, se apropriar da nossa pelve e aproveitar a nossa vida da maneira mais prazerosa possível. Somente nós temos uma estrutura criada única e exclusivamente para o nosso prazer: o clitóris. Eu acho tudo isso fascinante e excitante. Ser mulher realmente é um grande presente. Ser é o que basta para começarmos do ponto que esse conhecimento chegou até você. Vamos juntas?

 

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